domingo, 21 de novembro de 2010

Favela no Ar

No dia 19 de novembro realizamos uma atividade coletiva com as turmas do Ensino Médio, a idéia era que eles criassem uma espécie de penetrável, levando a diante o trabalho que desenvolvemos baseado na obra de Hélio Oiticica. Os alunos já estavam familiarizados com as idéias centrais da obra de HO, então não houve muito problema quanto à compreensão da proposta. Por outro lado enfrentamos alguns desafios, o primeiro foi com relação ao espaço, na noite anterior choveu muito e a quadra a céu aberto ficou alagada, como não tínhamos outra data para fazer o trabalho tivemos que enfrentar a “piscina”. Outro aspecto que não tínhamos levado em consideração foi o vento constante no local. Além disso, é importante destacar a escala gigantesca do trabalho, coisa incomum na escola.
Mesmo com essas dificuldades os alunos se saíram muito bem, contornaram os problemas encontrando soluções criativas e incorporando o que poderia se negativo - o vento e a lama - a própria natureza do trabalho. Eu tive alguma dificuldade para coordenar tanta gente trabalhando ao mesmo tempo, e notei que alguns alunos assumiram a liderança do trabalho enquanto outros pouco contribuíram, o que é mais ou menos normal quando trabalhamos com grupos muito grandes. Por outro lado deu para perceber que foi um momento rico do ponto de vista da experiência estética, algo difícil de avaliar, mas que pude observar vendo e ouvindo os comentários, coisas como: – Nossa isso tá tão bonito, colorido assim! Ou – Professor é como andar dentro da pintura, né?!
Nós não tínhamos um título para esse trabalho, até que um aluno da turma 903 – o Luciano – passou e gritou: - Professor, o que é isso? Uma favela no ar? Bingo! Achamos nosso título, obrigado Luciano pelo olhar sensível e inteligência poética.

Vejam o vídeo, espero que gostem.



PS.: Ficar por mais de 4 horas exposto ao sol e ter esquecido o filtro solar me rendeu uma aparência de camarão frito!

domingo, 14 de novembro de 2010

Seminário Museu : Escola [MAC-Nit]

No dia 11 de novembro apresentamos um relato de experiência no Seminário Museu : Escola, promovido pelo setor educativo do MAC-Nit (Museu de Arte Contemporânea de Niterói). Lá estavam reunidos representantes de diversas instituições culturais do Rio de Janeiro (CCBB, MAN Rio - Instituto MESA, Museu Chácara do Céu – Fundação Castro Maia, Equipe do Educativo da Exposição Helio Oiticica O Museu é o Mundo [Casa França Brasil / Paço Imperial] e SESC – São Gonçalo).
Duas escolas apresentaram trabalhos, nós do CIEP Mané Garrincha e a E.M. Profª Mª Ângela Moreira Pinto da Rede Municipal de Niterói.
Foram discutidos vários assuntos importantes a respeito de patrimônio, mediação, acesso aos acervos, visitação entre muitos outros. Foi um ótimo momento de compartilhar experiências e aprender, ficamos felizes de poder mostrar o trabalho dos nossos alunos e aproveitamos para parabenizar a equipe do Educativo do MAC-Nit, em especial a Márcia Campos.
 Resumo de nossa apresentação:
HÉLIO OTICICA
A pintura no campo expandido

Relato de experiência de atividades realizadas com alunos do Ensino Médio e Fundamental a partir da obra do artista Hélio Oiticica. As atividades estão inseridas numa série de ações planejadas durante os anos letivos de 2009 e 2010 e tinham por eixo temáticos a história da arte brasileira (para os alunos do Ensino Fundamental) e as vanguardas estéticas do século XX (para os alunos do Ensino Médio).
Os alunos do Ensino Fundamental realizaram trabalhos que remetem aos parangolés criado por HO na década de 60. Enquanto os alunos do Ensino Médio criaram trabalhos que aproximam as obras de HO de uma série de imagens criadas pelo fotografo sueco Carl Kleiner. As atividades foram registradas e geraram vídeos que pretendo exibir em minha apresentação, além de comentar os objetivos do trabalho, seus resultados e desdobramento.

Veja os vídeos clicando aqui: Parangolé | Arte para Vestir

sábado, 6 de novembro de 2010

Fomos visitar o Museu Nacional de Belas Artes

As turmas do 9º ano (901, 902 e 903) foram visitar o Museu Nacional de Belas Artes, mais de 120 alunos divididos em dois grupos. Fomos na quinta-feira e na sexta-feira (28 e 29 de outubro).
Foi uma experiência fantástica, especialmente porque a maioria dos alunos nunca havia visitado um museu de artes antes, alguns já tinham tido a oportunidade de visitar algum museu histórico, mas de artes não!
A primeira grande descoberta foi de como é distante o contato com imagens reproduzidas em livros ou em apresentações de DataShow e os objetos de arte “ao vivo”.
Fizemos um passeio pelas galerias do século XX e XXI, infelizmente a galeria com as obras que vão do século XVII ao XIX estava fechada para obras. Duas obras competiram pela atenção da meninada, o tríptico “Navio Negreiro” de Di Cavalcanti e uma obra de Franklin Cassaro.
Espero poder realizar visitas como essa com mais freqüência. Agradecemos a escola por viabilizar a verba necessária para os ônibus e lanches. Nossos agradecimentos especiais para o pessoal que ajudou na monitoria (Prof. Gisele, Prof. Dinho e o nosso técnico em informática Waldemir).
Na volta da visita fizemos uma pesquisa com os alunos, ainda não tive tempo de tabular os dados, mas depois disponibilizarei aqui.

Para encerrar, dois momentos bacanas: 1º - O Caio pergunta: Nos vamos ver alguma pintura de Fraz Post? Eu respondo, infelizmente não, a galeria está fechada para reformas. Ele faz cara de triste.
2º - O bombeiro que acompanhou o grupo no final da visita me chamou, apresentou-se e fez o seguinte comentário: Eu já trabalho aqui faz bastante tempo, mas é a primeira vez que vejo alunos prestarem atenção ao que o professor está falando e também nas obras, geralmente o pessoal passa rapidinho pelas salas.  (Três vivas para o Mané Garrincha!)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mondrian 3D

T
rabalhar com arte abstrata nem sempre é algo fácil. A tendência da maioria dos alunos é considerar que “qualquer um pode fazer aquilo, até sua irmãzinha de três anos”. Sabemos que esse clichê não é verdadeiro, a questão do valor estético de uma obra de arte não está no grau de dificuldade técnica envolvido na sua realização, mas sim nas questões que o trabalho propõe, na forma como o artista reflete sua realidade sócio-histórica, no modo como essa obra faz avançar as fronteiras da própria arte etc.
Piet Mondrian é um artista singular, criou uma obra de grande rigor e economia formal, seu trabalho é ao mesmo tempo simples e complexo, místico e utópico.
Com o objetivo de aproximar os alunos da obra de Mondrian e de seu vocabulário formal, resolvi propor uma atividade que possibilitasse desenvolver os conceitos de bidimensionalidade e tridimensionalidade. Desse modo partimos das pinturas de Mondrian para a criação de objetos/caixas que levariam Mondrian para o espaço plástico tridimensional. Cada aluno criou sua própria caixa, todas juntas formaram um painel único que de certo modo mantém a dualidade vertical/horizontal tão explorada na pintura do mestre holandês. Vejam o vídeo, espero que gostem, pois foi muito divertido fazer. 

domingo, 17 de outubro de 2010

Arte para Vestir


C
omo prometi no post anterior, aqui vai um pequeno relato da atividade que realizamos a partir da observação das obras de Hélio Oticicica [parangolés] e do fotógrafo sueco Carl Kleiner.

Kleiner tem uma série de fotos chamadas Ceremony, nessas fotos pessoas tem o rosto coberto por dobraduras, em algumas fotos é o espaço que é ocupado por esses origamis.

Pensamos em unir as duas idéias, a de HO que propõe uma pintura que só tem existência quando vestida e a de C. Kleiner que cria uma imagem de caráter fashion e que brinca com a geometrização do espaço.

Após observação e conversa sobre as obras dos dois artistas, dividi os alunos em grupos e propus que eles criassem origamis que pudessem funcionar como uma espécie de roupa ou camuflagem. A turma 2002 trabalhou como um único grupo, eles fizeram dezenas de barquinhos e praticamente cobriram um colega com essas dobraduras, no final colocaram alguns barcos aos pés do modelo e batizaram o trabalho de “o navegante”, foi uma experiência bastante forte e gostei especialmente do resultado das fotografias, que em sua maioria foram feitas pela garotada.  Podemos notar de modo bem explicito a influência do universo pop na cultura visual dos alunos. Alguns trabalhos lembram guerreiros espaciais, outros lembram divas pop como Lady Gaga, há ainda um certo clima vídeo game nas propostas.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Parangolé



Os alunos do Ensino Médio estão trabalhando com as diversas correntes ligadas a representação não-objetiva, as chamadas vanguardas abstracionistas e construtivistas. No ano passado ligamos essa atividade à obra de Hélio Oiticica, pois o artista fez um percurso muito importante, partindo da pintura abstrato-geométrica [ metaesquemas ], tirando a pintura do plano bidimensional e trabalhando a cor no espaço [ contra-relevos ] e depois levando ao extremo essa questão com os parangolés, capas coloridas que só se revelavam por completo na interação com as pessoas que as vestiam. Nesse processo de pesquisa da cor e do espaço H.O. parte da pintura até uma forma nova e híbrida onde a cor se manifesta no corpo e no espaço, a obra de arte deixa de ser algo apenas a ser observado e passa para o plano da vivência. Esse ano também estamos trabalhando nesse mesmo registro, mas dessa vez, a obra a ser “vestida” são origamis.
Confiram o vídeo com os parangolés produzidos no ano passado e aguardem novidades!
Para saber mais sobre a obra de Hélio Oiticica, clique aqui.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Natureza-Morta

       Quando trabalhamos com as obras dos pintores holandeses propus duas atividades, uma delas foi criar uma natureza morta. Como muitos alunos alegam ter dificuldades para desenhar, pensei em realizar um trabalho mais voltado para a questão da composição do que propriamente para o desenho. Então fizemos um trabalho de recorte-colagem a partir de fichas fotocopiadas (xerox), nessas fichas os alunos poderiam escolher quantos e quais elementos iriam compor os seus trabalhos. O resultado foi bom, até porque aconteceram muitas trocas entre eles, no sentido de, por exemplo, como criar a ilusão de profundidade para uma mesa? É importante chamar atenção para o fato de que apesar de partirem dos mesmos elementos, as composições são bastante diferentes entre si. Além disso a atividade serve para reforçar a compreensão sobre esse gênero da pintura.

Amanda Pires (901)

Carlos André (901)

Thainá (902)


Joyce Lopes (902)

Para fazer o download das fichas de trabalho clique aqui e aqui também!


As imagens que usei para criar as fichas de trabalho foram retiradas da Internet, você professor - caso prefira - poderá fazer o mesmo, criando a sua própria ficha de trabalho com as imagens que achar mais apropriadas.