quarta-feira, 6 de abril de 2011

Arte Indígena Brasileira - Pintura Corporal

Os alunos do 9º ano continuam suas descobertas sobre a arte brasileira, nosso percurso é mais ou menos linear; primeiro investigamos a pré-história brasileira, com especial destaque para as pinturas rupestres encontradas no Piauí. Agora estamos discutindo a arte indígena em suas diversas manifestações (arte plumária, cerâmica, objetos e adornos, cestaria etc). Para começar, analisamos as pinturas corporais a partir de algumas imagens que conseguimos na Internet. Achei importante destacar que os padrões utilizados são diferentes entre as tribos e ao mesmo tempo também caracterizam os indivíduos quanto ao seu papel no interior da comunidade. Por exemplo, homens, mulheres e crianças “usam” pinturas diferentes.

Como atividade propus que os alunos se dividissem em duplas e criassem pinturas um no braço do outro. Pedi que fizessem as pinturas a partir do que tínhamos observado. Foi bom ver que a maioria usou padrões geométricos e lineares, se aproximando bastante dos elementos usados pelos índios, outros alunos criaram formas que dialogam com a estética africana. Poderemos retomar esses trabalhos mais adiante e discutir as semelhanças e diferenças entre a arte africana e indígena brasileira.

Na atividade usamos tinta guache. É importante perguntar aos alunos se alguém é alérgico antes de aplicar a tinta sobre a pele. Mesmo sendo uma tinta a base de água pode haver algum tipo de reação. Também recomendo que o braço seja lavado logo em seguida, para que a tinta não permaneça muito tempo em contato com a pele.

Vejam o vídeo, espero que gostem do resultado. Eu fiquei bem feliz!



Sugestão de vídeo com pinturas corporais dos índios da tribo Asurini do Xingu.

Veja aqui um PowerPoint que usamos na aula.

Outras atividades do nosso blog relacionadas à arte indígena.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Carinhas

Uma das grandes dificuldades que enfrento ao falar sobre pré-história é que a garotada não consegue compreender como as pinturas “mais bem feitas”, ou seja, com características mais realistas / naturalistas sejam mais antigas que as imagens do neolítico, marcadas por forte tendência a simplificação e geometrização. Para eles seria natural que pinturas e desenhos mais “mal feitos” fossem criados antes dos mais “bem feitos” , como numa sequência natural de aprendizagem, onde partimos de imagens mais simples e toscas até alcançarmos maior domínio do traço e da representação.

Entretanto essa lógica não funciona nesse caso, pois o que temos no período Paleolítico são pinturas representando animais de modo bastante realista e, posteriormente, já no Neolítico ocorre um processo de simplificação que acabará, mais tarde, por resultar na criação dos primeiros sistemas de escrita.

Pensando nisso elaborei uma atividade em que ao invés de tentarmos representar de modo naturalista a o rosto de uma pessoa, pensássemos em como fazer essa representação usando o mínimo possível de elementos, simplificando formas e traços. Além de ajudar a compreender um pouco melhor essa questão da pintura rupestre a atividade rendeu trabalhos bonitos e muito bem resolvido plasticamente. Acompanhe o vídeo a seguir e deixe seu comentário!



Clique aqui e veja o que já publicamos sobre Arte na Pré-História.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Homenagem ao Outono

Resolvi iniciar o ano letivo tratando de elementos formais (ponto, linha, forma, cores etc). Acredito que seja importante tratar desse conteúdo porque instrumentaliza o aluno tanto em sua produção quanto na análise de textos visuais.

Em breve vou postar algumas atividades que fizemos sobre o tema, preciso só de um tempinho para editar fotos e tudo mais.
Hoje fizemos um painel bem grande usando folhas de papel A4 e tinta guache, é mais um desenho do que uma pintura, pelo caráter linear da imagem. Essa era a minha intenção mesmo, criar um exercício coletivo de composição em grande formato usando a linha como elemento construtivo. O trabalho foi uma espécie de homenagem ao outono que começou ontem. A atividade teve como ponto de partida o trabalho do artista japonês Kyoji Takubo, que analisamos na aula.

Algumas imagens da atividade e do resultado final.



Para imagens e detalhes da obra de Takubo clique aqui (em inglês).

Estamos de Volta!

Olá Pessoal!

Depois das férias e do carnaval estamos de volta. Tenho tido dificuldade para atualizar o blog por falta de tempo, mas pretendo dar continuidade ao projeto de registrar as atividades aqui. Acho que olhando para os posts anteriores ficou mais fácil fazer um balanço do ano letivo de 2010. Entre erros e acertos creio que foi um ano bastante produtivo.

Esse ano começamos com uma novidade, estamos participando de um projeto da TATE Modern (Inglaterra), o TURBINEGENERATION, esse projeto consiste em criar uma rede de trabalhos colaborativos baseados em arte educação entre escolas de diferentes países, fazendo uso das Tecnologias da Informação.

Nossa escola está trabalhando com a St. Saviours and St. Olaves School, uma escola só para moças que fica em Londres. Vamos ver o que produziremos juntos, estamos animados.

Qualquer professor de artes pode fazer seu cadastro e encontrar uma escola parceira em diferentes partes do mundo. Os trabalhos podem ter como ponto de partida a obra dos artistas que ocupam o Turbine Hall, maior espaço expositivo da TATE Modern, atualmente está em exibição a obra do artista chinês Ai Weiwei.

Para conhecer o Turbinegeneration, visite o link: http://turbinegeneration.tate.org.uk/

Para saber mais sobre a TATE Modern, é só clicar no link ao lado: http://www.tate.org.uk/modern/

Abraços de retorno!

domingo, 21 de novembro de 2010

Favela no Ar

No dia 19 de novembro realizamos uma atividade coletiva com as turmas do Ensino Médio, a idéia era que eles criassem uma espécie de penetrável, levando a diante o trabalho que desenvolvemos baseado na obra de Hélio Oiticica. Os alunos já estavam familiarizados com as idéias centrais da obra de HO, então não houve muito problema quanto à compreensão da proposta. Por outro lado enfrentamos alguns desafios, o primeiro foi com relação ao espaço, na noite anterior choveu muito e a quadra a céu aberto ficou alagada, como não tínhamos outra data para fazer o trabalho tivemos que enfrentar a “piscina”. Outro aspecto que não tínhamos levado em consideração foi o vento constante no local. Além disso, é importante destacar a escala gigantesca do trabalho, coisa incomum na escola.
Mesmo com essas dificuldades os alunos se saíram muito bem, contornaram os problemas encontrando soluções criativas e incorporando o que poderia se negativo - o vento e a lama - a própria natureza do trabalho. Eu tive alguma dificuldade para coordenar tanta gente trabalhando ao mesmo tempo, e notei que alguns alunos assumiram a liderança do trabalho enquanto outros pouco contribuíram, o que é mais ou menos normal quando trabalhamos com grupos muito grandes. Por outro lado deu para perceber que foi um momento rico do ponto de vista da experiência estética, algo difícil de avaliar, mas que pude observar vendo e ouvindo os comentários, coisas como: – Nossa isso tá tão bonito, colorido assim! Ou – Professor é como andar dentro da pintura, né?!
Nós não tínhamos um título para esse trabalho, até que um aluno da turma 903 – o Luciano – passou e gritou: - Professor, o que é isso? Uma favela no ar? Bingo! Achamos nosso título, obrigado Luciano pelo olhar sensível e inteligência poética.

Vejam o vídeo, espero que gostem.



PS.: Ficar por mais de 4 horas exposto ao sol e ter esquecido o filtro solar me rendeu uma aparência de camarão frito!

domingo, 14 de novembro de 2010

Seminário Museu : Escola [MAC-Nit]

No dia 11 de novembro apresentamos um relato de experiência no Seminário Museu : Escola, promovido pelo setor educativo do MAC-Nit (Museu de Arte Contemporânea de Niterói). Lá estavam reunidos representantes de diversas instituições culturais do Rio de Janeiro (CCBB, MAN Rio - Instituto MESA, Museu Chácara do Céu – Fundação Castro Maia, Equipe do Educativo da Exposição Helio Oiticica O Museu é o Mundo [Casa França Brasil / Paço Imperial] e SESC – São Gonçalo).
Duas escolas apresentaram trabalhos, nós do CIEP Mané Garrincha e a E.M. Profª Mª Ângela Moreira Pinto da Rede Municipal de Niterói.
Foram discutidos vários assuntos importantes a respeito de patrimônio, mediação, acesso aos acervos, visitação entre muitos outros. Foi um ótimo momento de compartilhar experiências e aprender, ficamos felizes de poder mostrar o trabalho dos nossos alunos e aproveitamos para parabenizar a equipe do Educativo do MAC-Nit, em especial a Márcia Campos.
 Resumo de nossa apresentação:
HÉLIO OTICICA
A pintura no campo expandido

Relato de experiência de atividades realizadas com alunos do Ensino Médio e Fundamental a partir da obra do artista Hélio Oiticica. As atividades estão inseridas numa série de ações planejadas durante os anos letivos de 2009 e 2010 e tinham por eixo temáticos a história da arte brasileira (para os alunos do Ensino Fundamental) e as vanguardas estéticas do século XX (para os alunos do Ensino Médio).
Os alunos do Ensino Fundamental realizaram trabalhos que remetem aos parangolés criado por HO na década de 60. Enquanto os alunos do Ensino Médio criaram trabalhos que aproximam as obras de HO de uma série de imagens criadas pelo fotografo sueco Carl Kleiner. As atividades foram registradas e geraram vídeos que pretendo exibir em minha apresentação, além de comentar os objetivos do trabalho, seus resultados e desdobramento.

Veja os vídeos clicando aqui: Parangolé | Arte para Vestir

sábado, 6 de novembro de 2010

Fomos visitar o Museu Nacional de Belas Artes

As turmas do 9º ano (901, 902 e 903) foram visitar o Museu Nacional de Belas Artes, mais de 120 alunos divididos em dois grupos. Fomos na quinta-feira e na sexta-feira (28 e 29 de outubro).
Foi uma experiência fantástica, especialmente porque a maioria dos alunos nunca havia visitado um museu de artes antes, alguns já tinham tido a oportunidade de visitar algum museu histórico, mas de artes não!
A primeira grande descoberta foi de como é distante o contato com imagens reproduzidas em livros ou em apresentações de DataShow e os objetos de arte “ao vivo”.
Fizemos um passeio pelas galerias do século XX e XXI, infelizmente a galeria com as obras que vão do século XVII ao XIX estava fechada para obras. Duas obras competiram pela atenção da meninada, o tríptico “Navio Negreiro” de Di Cavalcanti e uma obra de Franklin Cassaro.
Espero poder realizar visitas como essa com mais freqüência. Agradecemos a escola por viabilizar a verba necessária para os ônibus e lanches. Nossos agradecimentos especiais para o pessoal que ajudou na monitoria (Prof. Gisele, Prof. Dinho e o nosso técnico em informática Waldemir).
Na volta da visita fizemos uma pesquisa com os alunos, ainda não tive tempo de tabular os dados, mas depois disponibilizarei aqui.

Para encerrar, dois momentos bacanas: 1º - O Caio pergunta: Nos vamos ver alguma pintura de Fraz Post? Eu respondo, infelizmente não, a galeria está fechada para reformas. Ele faz cara de triste.
2º - O bombeiro que acompanhou o grupo no final da visita me chamou, apresentou-se e fez o seguinte comentário: Eu já trabalho aqui faz bastante tempo, mas é a primeira vez que vejo alunos prestarem atenção ao que o professor está falando e também nas obras, geralmente o pessoal passa rapidinho pelas salas.  (Três vivas para o Mané Garrincha!)